Entrelinhas

Entrelinhas

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Confissões

Eu poderia ter passado anos e anos assim,
ter vivido vidas a fio sem questionar,
mas decidi me reinventar.
Assumi lutar,
perder a causa do comodismo
sofrer todos os impactos que poderiam vir.
Abri meu casulo para aprender a voar
a perceber que bater asas é possível,
mas que voar alto é bem mais difícil.
Deixei para trás meus retratos
meus traços na parede e parti.
Aprendi reinventar histórias a fim de não esquecê-las,
me descobri a jogar cartas com a solidão
só para passar o tempo,
passatempo para esquecer a dor.
Aprendi a juntar retalhos de lembranças,
a pagar as contas do destino,
a esquecer as pegadas passadas a pão e léguas.
Eu poderia não ter vivido mais que meu pai,
ter sonhado menos também,
poderia ser espectador,
telespectador na vida vista na TV,
ator do meu esquecimento,
mas decidi sofrer a dor de trocar de sonhos,
a mudar a roupa da alma para enfrentar a vida.


Régis Martins