Entrelinhas

Entrelinhas

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Confissões

Eu poderia ter passado anos e anos assim,
ter vivido vidas a fio sem questionar,
mas decidi me reinventar.
Assumi lutar,
perder a causa do comodismo
sofrer todos os impactos que poderiam vir.
Abri meu casulo para aprender a voar
a perceber que bater asas é possível,
mas que voar alto é bem mais difícil.
Deixei para trás meus retratos
meus traços na parede e parti.
Aprendi reinventar histórias a fim de não esquecê-las,
me descobri a jogar cartas com a solidão
só para passar o tempo,
passatempo para esquecer a dor.
Aprendi a juntar retalhos de lembranças,
a pagar as contas do destino,
a esquecer as pegadas passadas a pão e léguas.
Eu poderia não ter vivido mais que meu pai,
ter sonhado menos também,
poderia ser espectador,
telespectador na vida vista na TV,
ator do meu esquecimento,
mas decidi sofrer a dor de trocar de sonhos,
a mudar a roupa da alma para enfrentar a vida.


Régis Martins

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Movimento

Fiz na ordem
me tornar
torto,
reto
sentido
conduzido
no expresso
espaço tempo
fiz do corpo
me sentir
morto
vivo
espaço
opaco
não
consentido
fiz do ouvido
me fazer sentido
opressor
silêncio
do ócio
desmedido
sentido
perdido.

Régis Martins

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Crise

Será a crise americana
o aquecimento global?
Crise temporal
crise ética
crise moral,
crise o escambal!
O banco quer dinheiro
a bolsa quer dinheiro
o pobre quer dinheiro,
dinheiro
dinheiro
dinheiro...
Money
bufunfa
miséria
salário,
mínimo!
Salário de fome
crise de consumo,
salário na câmara
crise na previdência,
moral da história
ética dos corruptos,
vitória dos mal-feitores.
Será a crise americana
o prato vazio?
Ou o infortúnio
dos não-afortunados?
Será a crise americana
o fracasso dos atomistas gregos?
Ou nem a filosofia,
preveria a filosofia do mercado?
Crise dos imóveis
crise na polícia
crise no Estado
crise no meu bolso!
Será a crise americana
o tiro pela culatra?

 
Régis Martins

Partida

O novo descobre a despedida,
a saudade sentir,
no caminho aberto
saudade de casa
no caminho encontrado
o gostinho da volta,
para, pensa,
os dias são longos,
mais longa é a espera
que a saudade não larga,
o cheirinho de café
é a falta de casa
o bilhete no bolso
é a falta do amor
a fotografia na parede
é o destino que mudou.

Não acomodas no peito
tamanha lembrança,
será a saudade tamanha
ou o amor que te espera,
do outro lado do mundo
do outro lado da sala.

Aprecia o olhar,
o último na despedida
trocado rápido,
desencorajado,
apertado como coração
que foge ao peito,
cada minuto
um quilometro a mais
uma lembrança a mais
um desejo a mais,
mas a partida não é só pranto
é um quilometro a mais
uma lembrança a mais
um desejo a mais,
da nova descoberta,
a volta é só
consequência...

 
Régis Martins

A ponte

Aponte
a ponte de pedra
sobre a fonte,
a frente
a ponte de pedra
onde passa gente
que festeja
a festa
que reza
na cruz da ponte.
Aponte
o caminho em frente,
segue sobre as pedras da ponte,
cego de sede
bebe na fonte
segue descalço
sobre as pedras
cedo onde quer que aponte
corre gente sobre a ponte.

 
Régis Martins

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Genealogia

Sou filho da terra
de sobrenome
Silveira, Boeira
ou dos Santos,
de todos ou um só
português com certeza.
Sou fruto do negro
que o tempo
o sobrenome apagou
e do índio que a terra ocupou
antes de mim.
Nas minhas veias
corre o Brasil
sinônimo do vermelho
como o sangue meu,
meus genes são tupiniquins
europeus
africanos.
Minha genealogia pertence ao tempo
que me formou
me fez assim
múltiplo,
único,
brasileiro.

Régis Martins

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Recanto das Letras

Este blog ainda está em construção, tenho alguns poemas e imagens que quero colocar aqui.
Até que tudo esteja em seu lugar, acessem meu perfil no Recanto das Letras. Lá estão disponíveis 12 poemas que escrevi.
Em breve, os terei aqui também acompanhados das fotos que tanto curto fazer.
Abraços a todos!